quinta-feira, 3 de abril de 2008
sexta-feira, 28 de março de 2008
[versão final] Tese da JR ao I Congresso da Juventude do PT
Em defesa da Revolução:
Cuba, Venezuela e Brasil
“A burguesia fede...
Enquanto houver burguesia não
haverá poesia” (Cazuza)
Na Venezuela, onde se mantem laços com a revolução cubana, apesar de não terem expropriado o capital como em cuba, a revolução também é ameaçada. De um lado a burguesia, organizando o desabastecimento e a alta de preços desenfreada nos produtos populares. De outro, é a ameaça de guerra com a Colombia, que acabou de invadir o Equador para matar o representante diplomático da guerrilha.
Nós da juventude revolução participamos da campanha “tirem as mãos da Venezuela” (internacionalmente, “hands off Venezuela”) e acreditamos que ao lado desta campanha, da defesa da revolução cubana, defender a revolução no Brasil, defender que o Brasil seja independente do imperialismo, que a burguesia aqui também seja expropriada em favor do povo pobre. Isto é o que escrevemos e defendemos nesta tese.
FOGO NA FLORESTA
Na Amazônia e no Centro Oeste, a floresta queima. Parcelas inteiras viram carvão enquanto avança o cultivo da soja e da cana-de-açucar. E o que faz o governo? O governo Lula em 2007 decidiu privatizar a Amazônia através da Lei de Gestão de Florestas Públicas. Agora, no início de 2008 eles "descobrem" que ocorreu um desmatamento brutal: entre agosto e dezembro de 2007 foram 7mil Km2 (INPE), ou seja, uma área equivalente e 4,7 vezes a cidade de São Paulo. A ministra Marina Silva foi a imprensa pedir ajuda aos fazendeiros (!), dizendo que não é só o governo que tem que se preocupar. Depois de uma reunião que definiu regras para o recadastramento das propriedades nos municípios líderes em desmatamento, a ministra lançou a proposta aos proprietários: "Acho que deveriam se declarar em moratória e dizer que a partir de hoje não derrubam nenhuma árvore." (Folha de SP, 26/1)
Segundo ela, os fazendeiros, os mesmos que estão queimando, pasmem, precisam colocar a preocupação do lucro de lado e ajudar. Perguntamos: Eles vão ajudar a fazer o quê? Eles irão queimar a floresta e o cheiro de mata queimada vai encher nossos pulmões. A burguesia fede...
Exigimos já a revogação da Lei de Gestão de Florestas Públicas que privatiza a Amazônia e a expropriação sem indenização das terras de todos os fazendeiros que desmataram além do limite de 20% permitidos pelo Código Florestal que protege a Amazônia Legal.
81% das cidades líderes no desmatamento são governadas por prefeitos de partidos da base aliada do governo federal (Folha de SP 29/01). Essa burguesia asquerosa e reacionária inimiga do povo brasileiro que Lula escolheu pra ser seus amigos de coalizão! Nós propomos o rompimento desta coalizão com os capitalistas. E a constituição de um governo do PT aliado aos partidos operários e nossas organizações de classe CUT, UNE, MST, que atenda as reivindicações do povo. Vamos explicar e defender isto nos pontos seguintes.
POLÍCIA ATIRANDO, BANDIDO ATIRANDO...
E O POVO MORRENDO. ATÉ QUANDO?
Dizem que ela existe, prá ajudar!
Dizem que ela existe, prá proteger!
Eu sei que ela pode, te parar!
Eu sei que ela pode, te prender!... (Titãs)
São raros os tiroteios sem vitimas inocentes. Vejamos somente o balanço dos jornais (11/11/07): “Polícia do Rio mata 10 pessoas”. A Folha de São Paulo entrevistou a avó e a mãe do menino de três anos morto no tiroteio: “ele estava ansioso para começar na escolinha na segunda”. O comandante do BOPE reclama que os marginais atiram na população para por a culpa na polícia. Será? Vamos acreditar nisso?
No mesmo jornal, uma mãe entra com uma ação na justiça para que o corpo do filho que foi morto e enterrado seja autopsiado e que se inicie uma ação para descobrir quem matou. O comandante da polícia, que começou explicando que neste caso era um bandido depois declarou que foi bala perdida. Questionado pela repórter, perde a paciência e recusa-se a falar mais.
A manchete, em uma das paginas na internet de jornal: “Menina de 3 anos morre baleada em ação da polícia”. Em outro “polícia diz que cinco traficantes também morreram”. Mais outro: “Polícia confirma mais duas mortes. São sete ao todo”. E o Governador Cabral (PMDB) declara que “a polícia não mata tanto assim”, ao ser confrontado com as estatísticas que dizem que as mortes aumentaram em mais de 40%. E o secretário de segurança declara que “agora estamos enfrentando os bandidos”.
Na Vila Cruzeiro, outra favela do RJ, mais três mortes confirmadas. Quanto tempo demorará para que parentes e amigos venham repetir em novelas infindáveis dos jornais que “o meu filho, o meu irmão” era só um trabalhador que ali passava? Pois a polícia sobe e mata, sem perdão e sem julgamento, e depois se fabricam armas, trouxas de maconha. De vez em quando, dão sorte do “suspeito morto” já ter tido uma passagem policial. Embora seja difícil achar um prontuário de uma menina de 3 anos morta, de outro menino de 7 anos da operação anterior, do garoto que cuidava da irmã em casa e na casa foi baleado.
E como se ainda não bastasse, o deputado Bolsonaro (PP-RJ) está propondo que a “caveira e a farda preta do BOPE sejam tombados como patrimônio cultural do Rio de Jeneiro” Jornal O Dia (05/01/08).
A PM paulista em Bauru invadiu cara de um jovem. Torturou-o até a morte na frente da mãe e da irmã. Esse é o mundo em que nós vivemos! No capitalismo não há futuro!
A polícia é aparato do Estado O Estado é burguês. E a burguesia fede!
CONTRA LIBERAÇÃO DAS DROGAS
Somos contra a droga do imperialismo! Elas são um instrumento do imperialismo e da burguesia para alienar e destruir fisicamente a juventude. Em vez das organizações reformistas e pequenos burguesas ficarem fazendo passeatas pela “liberação das drogas”, deveriam fazer passeatas pela liberação da terra, do pão, do arroz e da moradia. Somos contra o uso e a descriminalização das drogas. A juventude não precisa de droga, precisamos de emprego, de saúde, de educação, de poesia, de arte.
CRISE ECONÔMICA MUNDIAL E A BARBÁRIE
No Iraque, os EUA querem que seu povo se acostume com o tormento da carnificina. No Haiti as tropas de paz dirigidas pelo Brasil estão matando e matando. A única paz que se chegou até agora é a paz de cemitério! Isso é o capitalismo! Onde Bilhões e bilhões de dólares desapareceram nos primeiros dias de 2008 nas farras das bolsas de valores. E quem vai pagar esses bilhões de dólares senão as mortes, a fome e a miséria de milhões de pobres. Pessoas que serão desempregadas e jovens que não terão acesso a escola.
Isso é o capitalismo, isso nós não queremos.
Por isso somos a Juventude Revolução.
Nós queremos fazer a revolução. Queremos o socialismo!
AS LUTAS DA JUVENTUDE
Os jovens ocuparam as reitorias das universidades contra o REUNI. Vamos ler o primeiro artigo do decreto:“REUNI, com o objetivo de criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, no nível de graduação, pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas universidades”. Ou seja, para o governo o problema das federais é uma questão de melhor gestão dos “recursos” e não o problema real que é a falta de verbas. Além do que o centro do REUNI foi aumentar vagas sem aumentar na mesma proporção as verbas, os professores, os livros, as bolsas, etc Isso significa rebaixamento da qualidade do ensino.
O REUNI acaba com nossas universidades públicas, que até então são exemplos de educação. Os governos capitalistas sucateiam a educação pública. Ninguém pode negar, que hoje a educação básica particular esta à frente do ensino público. Agora querem fazer o mesmo com nossas universidades.
O governo Lula está cooptando os jovens e os trabalhadores através de Bolsas Misérias. Para fazer os trabalhadores acharem que o capitalismo é bom. Queremos o fim do vestibular e vagas para todos nas universidades públicas.
PROUNI = CAPITALISMO
Segundo a Folha de São Paulo (21/12), 880 universidades particulares devem “7 Bilhões” ao Governo Federal, (“dívidas, impostos atrasados e contribuições não pagas ao INSS”). E ao invés do governo cobrar esta dívida, ele está propondo que essa dívida seja parcela em até 10 anos, com a condição de que essas universidades adiram ao PROUNI. Em vez do governo dar educação, O que ele está fazendo é ampliar o PROUNI. Nós somos contra isso. Vejamos a realidade:
Nossa posição é que todos os bolsistas do PROUNI sejam transferidos paras as universidades federais. E a realidade mostra que as universidades particulares estão indo a bancarrota: há cerca de 970 mil vagas ociosas nas pagas (O Globo 20/12). Hoje elas não conseguem viver sem dinheiro público (isenções fiscais, FIES, Crédito Educativo, empréstimos do BNDES, PROUNI). Além do que é de conhecimento de todos que essas universidades não estão preocupadas com a qualidade do ensino e sim com seus lucro. Nas prática não são verdadeiras universidades com um bom ensino, pesquisa, extensão. São universidades em Estações do metrô, em shopings, etc. O PROUNI, para os tubarões do ensino privado acaba funcionando como medida fiscal para salvar essas universidade da falência.
A política que devemos defender enquanto juventude da classe trabalhadora não pode ser o PROUNI e sim a estatização de todas as particulares que recebem dinheiro público. Os capitalistas que quiserem continuar cobrando rios de dinheiro para oferecem educação nos shopings e estações do metrô como a Estácio de Sá e a UNIBAN, nenhum problema. Mas que faça isso sem dinheiro público.
Por que os jovens da periferia tem que ter uma educação de merda enquanto o jovem da burguesia tem uma escola boa e ainda com isenção de impostos? Lula, estatize já todas as escolas e universidades particulares que recebem dinheiro público!
As escolas públicas estão sendo municipalizadas, mas as verbas não estão sendo repassadas. A juventude da classe trabalhadora tem que lutar pela estatização de todas as escolas e universidades que recebem dinheiro público e que receberam isenções de impostos. Os empresários que quiserem continuar oferecendo “educação” nos shopings e estações do metrô, que façam isso sem dinheiro público.
COTAS = CAPITALISMO
Com as cotas nenhuma vaga a mais será criada, nenhuma centavo a mais será investido. Não é uma política de fazer a igualdade, isso é uma enganação. É uma política para cooptar os negros. Racismo e capitalismo são duas faces da mesma moeda. Também rejeitamos as cotas e o Estatuto da Igualdade Racial. A juventude revolução não faz política para construir uma “elite mais plural” como disse o Frei Davi ao Jornal O Globo. O combate pela igualdade só pode vir na unidade dos negros e dos brancos pobres pela derrubada desse sistema capitalista e pela construção do socialismo. Onde todos terão direto a Tudo.
ROMPER O PAGAMENTO DOS JUROS DA DÍVIDA
O governo mente dizendo que não tem dinheiro. Mas o Brasil paga 160 Bilhões de juros da dívida publica. Para manter as “reservas” do Brasil aplicadas me títulos da divida norte-americanos, o Banco Central teve um preuizo de 50 bilhões de dólares! Todo esse dinheiro, se for aplicado na saúde, não vai resolver a maior parte dos problemas? Não pode dar um salário decente para o professor? Não pode construir escolas publicas de qualidade, construir novas universidades e melhorar as existentes?
O PROGRAMA PRIMEIRO EMPREGO É UM FRACASSO
Este programa fracassou porque os empresários, mesmo recebendo dinheiro e incentivos para para empregar jovens, preferiram contratar via estágio. Esse é um trabalho totalmente desregulamentado, os jovens trabalhadores só ficam 1 ou 2 anos no trabalho, trabalhando igual a todo mundo e ganhando 1/3 do salário, sem nenhum direito social, sem décimo terceiro, férias, etc.
COMO CRIAR EMPREGO PRA JUVENTUDE
Começando por não demitir nossos pais. Que o governo decrete a estabilidade dos trabalhadores, era isso que dizia o programa original do PT. Não queremos que nossos pais seja demitidos para entrarmos no lugar deles. Que o governo retire a intervenção judicial das fábricas ocupadas como exige a CUT e decrete a reestatização de tudo o que foi privatizado. Que o governo não pague os juros da dívida. Que o governo faça a Reforma Agrária. Essas medidas criarão emprego, é assim que se revolve a situação.
É óbvio que se tomarmos essas medidas os EUA nos enfrentarão. É só olharmos para a Venezuela. Quando Chavez tomou medidas de fazer a reforma agrária e expropriar fábricas, os EUA atacou. Quando a Bolívia nacionalizou as refinarias, os EUA atacou. Os EUA invadiram o Iraque sem motivo nenhum. Logo, é necessária a unificação dos povos da América Latina numa federação socialista para se defender e se enfrentar contra o imperialismo ianque.
É necessário conversar com os trabalhadores americanos que estão sendo demitidos. Um exemplo são os 60 mil operários da indústria metalúrgica com demissões já anunciadas por conta da crise econômica.
Para isso o PT tem que ser verdadeiramente dos trabalhadores, tem que ser firme na defesa dos nossos interesses. Não pode fazer coalizão com a burguesia (PMDB, PP, PTB, PL, PRB e outrso), tem que expulsar do governo os ministros representantes dessa classe que é um cadáver político reacionário e mal cheiroso. O governo deve ser composto por partidos operários e nossas organizações de classe CUT, UNE, MST, etc.
Lula, se você fizer isso e parar de pagar os juros da dívida, ou seja, caminha rumo ao socialismo, certamente terá o apoio de toda a juventude do país, de toda a juventude da classe trabalhadora.
Organização da Juventude do PT
A juventude de um partido é antes de tudo uma escola para construir os quadros militantes do partido. Mas o PT, hoje, é o partido que faz aliança com a burguesia, que defende o capitalismo e nós precisamos de uma juventude que defenda o socialismo, e o comunismo.
Então, o que podemos defender como organização da JPT nesta situação onde a juventude tem que romper com esta política, com a cooptação com verbas do governo (no caso da juventude, bolsa do PROUNI, cargos em ONG’s, etc)? Nós propomos que a organização parta e responda a cada instante a base e não as direções, sejam quais forem:
a) Que sejam estruturados núcleos da JPT por escolas, bairros, por empresas e faculdades.
b) Que as coordenações municipais sejam formadas por representantes dos núcleos.
c) Que as coordenações estaduais sejam formadas por representações das coordenações municipais e se reúna de 3/3 meses.
d) Que a coordenação nacional seja formada por representações das coordenações estaduais, reunidas semestralmente.
Venha fazer parte desse combate, se você é filiado ou simpatizante do PT, ASSINE NOSSA TESE, entre em contato: www.revolucao.org
SP-Capital: Abdeir - abdeirjc@gmail.com
SP-Bauru: Silvio - silviodurante@bol.com.br
SC-Joinville: Evandro - evandrocolzani@hotmail.com
SC-Floripa: André - moura_ferro@hotmail.com
RJ: Flavio - flavioirj@gmail.com
MT: Ramirez fabioramirez.com@gmail.com
PR: Mario - mario.dutrapereira@gmail.com
PE: Paulinho - bezerp@gmail.com
=> faça o dowload da tese da JR, clique aqui
domingo, 23 de março de 2008
Revolução é vaga para todos e socialismo!
Só em São Paulo o número de jovens que ficam fora da universidade, não porque não são os melhores como o capitalismo tenta nos convencer, mas por não ter vagas suficientes para todos, é imensamente maior do que os números que o presidente chama de revolução.
A verdade é que milhares de jovens continuam saindo do ensino médio e sendo despejados direto no mercado de trabalho como mão-de-obra barata, sem qualificação universitária e técnica. Os programas do governo como o PROUNI e o REUNI não resolvem os problemas de criação de vagas para os filhos da classe trabalhadora. Pois o seu objetivo central é trabalhar a impressão de democratização no acesso a universidade, com a criação de algumas vagas sem precisar de grandes investimentos nas universidades.
Enquanto isso os donos das faculdades pagas comemoram com os programas como o PROUNI e o FIES, que são garantia de dinheiro no bolso dos empresários da educação e de salas cheias. Ao mesmo tempo, a universidade pública chora com os programas como o REUNI e a Reforma Universitária.
O pequeno aumento das vagas no ensino superior comemorada por Lula vem a preço da destruição da qualidade de ensino nas federais. Aumenta-se os alunos, mas não se aumenta na mesma proporção a estrutura de ensino, o nº de professores e servidores, de bibliotecas e laboratórios... Vem a preço da Reforma Universitária, que aos poucos vai tirando o papel do governo custear a educação superior, passando-a para o setor privado através de parcerias e fundações, isso é privatização! Vem a preço da isenção das privadas de pagarem milhões de impostos que poderiam ser usadas para criar mais vagas nas públicas.
A única revolução que interessa aos milhões de jovens que continuam fora da universidade é uma vaga para estudar e poder um futuro melhor. Mas isso só é possível de fato com a transformação das universidades privadas em instituições públicas, derrubando suas concessões, é preciso que o governo pare de destinar milhões de reais aos capitalistas através da divida interna e externa, e destine esse dinheiro para a construção de universidades em todo o país.
É preciso o fim do vestibular e vagas para todos na universidade, isso é possível, temos exemplos em Cuba e na Venezuela. E a única arma que temos para exigir que Lula governe para o povo e a juventude é nossa organização. A começar pelas entidades que os estudantes construíram para fazerem suas lutas, como a UNE, os DCE’s e os Centros Acadêmicos.
É hora de organização, venha para a JR e ajude a construir a luta pela verdadeira revolução: vagas para todos e socialismo!
quinta-feira, 13 de março de 2008
vem aí a Conferência nacional da campanha Tirem as Mãos da Venezuela - em defesa da revolução na América Latina
Um vento revolucionário varre a América Latina, sua ponta mais avançada está na Venezuela, mas podemos ver seus traços em diferentes graus na Bolívia, no Equador, no México, etc.
A campanha internacional Tirem as Mãos da Venezuela vem divulgando o que realmente se passa na Venezuela revolucionária. A mídia burguesa diz que lá se constrói uma ditadura. Nada mais falso! O que realmente existe na Venezuela é um profundo movimento das massas oprimidas em busca de justiça, justiça essa que o capitalismo nunca poderá proporcionar.
Numerosos são os ataques da oligarquia e do imperialismo norte-americano contra a revolução, mas outro inimigo representa grande ameaça: o reformismo. Políticos e falsos teóricos que em palavras se mostram amigos da revolução, porém agem para freá-la, aconselhando o presidente Hugo Chávez a ir mais devagar, a conciliar o interesse dos grandes empresários com o dos trabalhadores. Esses falsos amigos querem na verdade salvar o capitalismo, evitando a expropriação dos grandes meios de produção e a instauração de um Estado governado pelos trabalhadores. A derrota no referendo constitucional foi um alerta! As massas se cansam de lutar se só ouvem belas palavras, porém no cotidiano vêem a escassez de produtos alimentícios básicos, vêem a corrupção e nada sendo feito contra ela, vêem os ricos continuarem ricos. É hora da revolução avançar! Nada de conciliação, é hora de agir rumo ao socialismo!
A revolução cubana também encontra-se ameaçada. Principalmente após a “renúncia” de Fidel Castro, os burocratas reformistas cubanos trabalham pelo retorno do capitalismo à ilha, devemos defender esse Estado que mostra ao mundo a superioridade da economia planificada. O avanço da revolução na Venezuela daria grande impulso para o povo cubano impor um salto à revolução em seu país, tirando-a de tamanho isolamento, instaurando a democracia operária na administração do Estado. Logo os regimes burgueses de toda a América Latina cairiam, abrindo as portas para a construção da Federação das Repúblicas Socialistas da América Latina e, enfim, do socialismo em todo o mundo!
sábado, 8 de março de 2008
realizado o 10º ENJR, VITÓRIA!
O 10º ENJR iniciou-se com a prestação de contas do encontro e da vinda das delegações, auto financiado com vendas de camisas da JR e contribuições de camaradas.
Em seguida uma saudação aos sindicalistas e operários que prestigiaram a abertura de nosso encontro, fato que muito nos orgulha, entre eles: integrantes do Movimento das Fábricas Ocupadas, Movimento Negro Socialista, integrantes da campanha internacional ‘Manos Fuera de Venezuela’, operários de PE e SC, e sindicalistas de PE, SP, SC e RJ.
Em seguida a discussão sobre o que é organização de juventude, seus objetivos e o seu papel na revolução, e a discussão que se inicia sobre a fusão da JR com a Esquerda Marxista, organização operária que combate pelo comunismo no Brasil e no mundo. O entusiasmo dos jovens da JR em estar junto aos operários na luta de classes era visível e empolgava a discussão.
Após o almoço o plenário assistiu ao vídeo “No Volverán”, documentário feito pela campanha internacional de solidariedade à revolução venezuelana ‘Tirem as Mãos da Venezuela’. Após o vídeo o camarada Vandercí, militante da CMR e dos bastiões de formação do PSUV na Venezuela, fez um pequeno relato da situação da revolução venezuelana.
A discussão seguinte foi a cerca da conjuntura política nacional e internacional, e as tarefas da juventude. Nesse ponto discutimos a crise internacional das bolsas, a bolha imobiliária americana, e o impasse entre o atual crescimento econômico e a recessão que se prepara, as conseqüências para a luta de classes e a importância de reforçar a organização e prosseguir rumo a fusão com a EM, se preparando para o próximo período que pode ser de intensificação da luta entre trabalhadores e burguesia.
Discutimos também a importância da intervenção no PT, e os brutais golpes que Lula vem aplicando na juventude e nos trabalhadores, como a Reforma Universitária e o REUNI, e as privatizações, o PAC, e a reforma trabalhista que se prepara. Entendemos os mecanismos que Lula usa para ‘controlar’ o movimento dos trabalhadores, como as bolsas assistencialistas, os recursos do PAC, o crédito consiguinado que cria ilusão de consumo na classe média, e o aparato sindical controlado com empregos em estatais e distribuição de fartos recursos. Isso nos permite entender como Lula é capaz de dar um dos maiores golpes que o Brasil já sofreu, o inicio da privatização da Amazônia. A JR continua no combate pela ruptura do governo de coalizão de Lula com a burguesia, rumo a construção do socialismo, e decidi intensificar o trabalho de formação de grêmios estudantis, de CA’s, de DCE e do combate para que a Une e UBES assumam de fato as reivindicações da juventude.
O 10º ENJR delibera a tarefa de preparação de um acampamento no mês de julho, onde reunirá os jovens da JR para deliberar sobre a fusão com a Esquerda Marxista. Até lá a discussão deve ser feita em todos os núcleos da JR pelo Brasil. A tarefa de construção do acampamento fica de responsabilidade do CNJR – Coordenação Nacional da Juventude Revolução, composto pelos jovens: Abdeir- SP, André- Florianópolis SC, Mario- PR, João e Evandro- Joinville SC, Ramirez- MT, e Flávio- RJ.
“JUVENTUDE REVOLUÇÃO, CONTRA A GUERRA E A EXPORAÇÃO!”
quinta-feira, 6 de março de 2008
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
AS MILÍCIAS NO PODER - O indiscreto interesse das novelas
As novelas da Rede Globo representam o maior canal de recepção de informação audiovisual da população brasileira. É um traçado diário da vida burguesa e pequeno-burguesa, em geral do Rio de Janeiro ou São Paulo, com algum núcleo pobre para passar uma imagem democrática, mas que é sempre subserviente ao núcleo rico. A relação de classes é de amizade ou tutela, raramente há conflito. A novela não é a vida real. Mas sim a verdade que a elite quer que as pessoas recepcionem. Que é ilógica!
O trabalhador e a trabalhadora, quando assistem à novela, ao fim do dia vêem como são feios. Claro, porque o folhetim televisivo mostra como as pessoas devem sonhar em ser, contanto que sejam muito diferentes do que são realmente. Há uma situação plástica para apresentar modelos de pessoas sob dada conduta e estética idealizada. Por exemplo: é a mulher super 'turbinada' com operações plásticas, tendo 60 anos e jeitinho, face de 20 – algo que faça o marido, em casa, virar para a mulher e sofrer de desilusão. E vice-versa, quando a mulher vê o galã e olha para a barriga do marido. Por mais que na vida real ele(o galã) seja homossexual.
Os sonhos são transplantados para a irrealidade dos atores e atrizes de novela. Como as crianças, com suas mentes feéricas, empurradas pela mega-produção jornalística e publicitária joga os sonhos sob o 'ser jogador de futebol'. O mecanismo é de captação dos desejos, onde ao fim do dia, em frente à televisão, a vida parece confortável e cheia de colorido – na imagem da TV. O cinza da labuta diária tem seus momentos olvidados durante aqueles minutos. Então, o colorido das coisas é monopolizado pela imagem da novela.
Há uma plástica no conviver das pessoas entre patrão e empregado. O bom empresário é aquele que trabalha bastante, faz 'tudo certo', não é o vilão – como se cumprir as regras do sistema condissesse com algo positivo. A situação é de aceitar a moral burguesa como o paradigma do viver bem. O bem é formado por uma ética que não revela a situação das forças produtivas e a luta de classes na sociedade. O mal tem relação com as brigas amorosas, o 'mal caráter' por natureza ou pelas relações intra-familiares. O pobre pode ser bom, feliz e, até confiável, quando possui uma relação de empatia com o patrão. Escamoteiam-se as situações de conflito, como briguinhas amorosas ou que a imoralidade seja a efetividade dos sete pecados capitais.
As novelas sabem captar muito bem as situações do cotidiano e refletir sua ideologia. É um espelho falso. Diz refletir a realidade, mas mostra inversões, distorções, além de refletir sombra – jamais luz. O giro vai sobre a distração, distorção e o destratamento: o entretenimento é remodelado para fazer daquilo uma não identidade com aqueles que assistem à trama. Ou seja, aliena, se se deixar enredar por seus discursos, quase emburrece. Até diferente do que já ocorreu com novelas antigas, não há mais cultura ou enredo construído a partir de material literário de qualidade, como por exemplo a mini-série O Pagador de Promessas, de Dias Gomes. Pode ser interessante como um instrumento de análise acerca daquilo que a burguesia apresenta para ser o script do pensamento comum. A análise a seguir parte disso: entender que as massas assistem à novela, e que é preciso explicar, dialogar com as pessoas sobre a não ingenuidade das situações de vida novelesca, permeadas pelas belas e mesmíssimas imagens de alguma metrópole ou lugar bucólico no interior do país. E até mesmo quando mostra a face do povo pobre, do nordestino do sertão ou do favelado, acaba fazendo os devidos relativismos. Tomemos o exemplo do programa que é pensado pelo antropólogo Hermano Viana, e apresentado por Regina Case, o "Central da Periferia", da Rede Globo – que busca apresentar a situação de felicidade da população de dada periferia com sua irreverência e criatividade como se todos vivessem bem na situação de periferia. Isto é, uma coisa é dar valor para as pessoas como igual a qualquer outro que more em qualquer outro lugar do país – isso é correto; mas não se pode conceber a naturalização da precariedade, das mazelas, da falta de infra-estrutura, do desemprego – como se dissesse: 'eles(as pessoas da periferia) vivem bem e felizes onde e como estão, pois são talentosos, não precisam mudar de vida para terem um sorriso ou sua diversão, eles se contentam como estão'. É um puro relativismo, também serve para deixar de lado o conflito. Assim como só nos shows e eventos culturais, nos novelescos casos de intriga, amor e ódio: há política.
A atual novela das 'oito', Duas Caras, de Agnaldo Silva, transmitida pela Rede Globo faz uma clara defesa das milícias. O que são as milícias e o porquê disso tudo? Milícias são tropas de guerra, designação de organizações militares ou paramilitares compostas por civis; no caso do Rio de Janeiro são de controle privado e para segurança interna – em uma dada comunidade ou espaço específico. Grupo de homens, já com alguma experiência com armas de fogo (como policiais ou ex-policiais) ou mesmo inexperientes, em torno de um líder local, e que fazem a 'proteção' da comunidade (favela), evitando e/ou controlando o tráfico de drogas; são financiados pela pequena burguesia local(comerciantes, principalmente) e moradores, quando não pelos próprios grupos traficantes que são protegidos, evitando a concorrência. A Globo não diz isso descaradamente, mas mostra que a guerra é um fato no Rio de Janeiro; e a existência das milícias como poder para-estatal. E essa milícia que é apresentada na novela, pretendendo ser um retrato do que acontece na em favela de Jacarepaguá, não é igual à chamada "P2" ou "Polícia Mineira" – essa é quase restrita na situação ostensiva de defesa/ataque frente aos traficantes, não tem uma relação aberta e em vários âmbitos da comunidade, como no caso da Portelinha.
Antônio Fagundes (atuando como Juvenal Antena) representa o líder da Portelinha, uma favela que ele mesmo criou. O foco é na ação individual do personagem – homem respeitado, que impõe sua posição frente aos interesses de uma construtora e defende a população. Juvenal chefia a milícia que atua 'no braço e impondo respeito', fazendo a proteção da favela. Mesmo truculento e brucutu, Juvenal é figura com acesso livre e irrestrito em todas as atividades da favela (isso é um elemento que diferencia da 'polícia mineira') possuindo poder sobre todas: dá palpite na escola de samba, sobre a relação com o poder público municipal e até certas relações privadas dos moradores. Ou seja, é o 'boa praça', que é chefe legítimo e admirado na comunidade.
Na verdade apresenta-se uma forma de purificar a ação das milícias. Não significa dizer que mostra o 'lado positivo' das milícias. Isso não existe. Onde já se viu milícia que age, em geral sem armas em favela do Rio de Janeiro, atua 'só no braço'!? O que se quer com isso?
A ação da polícia nunca foi a de complacência com as massas. A polícia é o aparelho do Estado de repressão e manutenção da ordem. É singularmente contra-revolucionária. Como a situação da sociedade se torna pior, e a barbárie é o resultado da crise do capitalismo – mortes no atacado, desvalorização da vida, desumanização, perca dos valores burgueses. Instrumentos de manutenção da ordem se fragmentam para o domínio direto da burguesia: é mais seguro ter uma polícia própria, do que fazer a ponte com o Estado, utilizando a polícia pública(que já foi arruinada com a destruição financeira do próprio Estado, pela mesma burguesia). Então a Globo quer dizer: 'os ricos tem sua própria polícia, ou as suas polícias privadas – empresas de segurança, seguranças particulares, etc.; mas os pobres também podem ter a sua: as milícias, e de quebra com um líder defensor dos fracos, que tem simpatia com todo mundo e enfrenta os ricos inescrupulosos, pois com 'os éticos' há até amizade'.
A novela apresenta um quadro, deformado e idealizado da sociedade, mas também os choques e desestruturações da vida social. Oculta a podridão que é inerente ao sistema capitalista, e que é a partir dele que os problemas acontecem. Há uma encruzilhada que não se resolve na novela, exatamente pelo fato haver uma despolitização do cotidiano sendo colocado para o público. Como se política fosse algo ruim, onde todos os políticos são ruins, bem como os movimentos sociais. Até mesmo a novela Duas Caras deslegitima os movimentos estudantis quando apresentou uma reivindicação dentro de uma universidade como parte da manobra de oposição da reitoria. Querendo dizer que as pessoas não devem fazer política, pois na verdade são manipuladas por líderes com interesses pessoais. Então o melhor é deixar com que aqueles 'mais éticos' façam tudo. Os ricos podem fazer política, pois tem tempo e dinheiro – aos trabalhadores cabe seguir as regras e trabalhar muito. Ou seja, são imagens e discursos que levam a classe trabalhadora para o buraco. Revelar o que significa dar um senso comum de desleixo para com a política e dizendo que, ou rumamos para o socialismo, ou cairemos nesse caldo de sangue, desemprego, alienação, despolitização e vida barata. A novela vira instrumento de promoção da barbárie, do extermínio. Não é possível haver passividade frente a esse aparelho de controle!
Por Luiz Ramiro



